As Capas Negras que pintam Portugal de preto

Com a abertura do novo ano académico que se aproxima, bateu a triste realidade: por imposição da pandemia que aflige o mundo desde março, não iriam haver grandes oportunidades para honrar o preto, o curso e a Universidade que nos acolheu quando éramos caloiros.

No seio de uma conversa banal de amigos, entre saudades e lembranças bem passadas de capa aos ombros, surgiu a ideia de criar um movimento que incentivasse a trajar na Universidade. Inicialmente chamado de “Quartas Negras” devido à tradição Utadina das Quartas Académicas, por acaso também partilhada pelos vizinhos de Braga, acabou por receber depois o nome de “Capas Negras” numa vontade de levar a ideia a todas as Academias do país, não obstante às diferentes tradições adotadas.

Este movimento insere-se neste período anormal em que vivemos atualmente e possui como objetivos o incentivo à força de união entre todos os estudantes de Portugal, assim como o encorajamento da tradição do bem trajar que se assenta nos alicerces académicos portugueses.

Capas Negras surge pelo amor e orgulho do histórico peso que repousa nas nossas costas e para mostrar que o espírito académico é mais forte do que qualquer obstáculo. A COVID-19 pode ter-nos privado de muitas felicidades mas é o nosso papel como estudantes das academias portuguesas transmitir essas sensações e tradições às novas gerações académicas. 

O traje é um símbolo inabalável do orgulho académico e, como tal, todos o podem e devem usar. É erroneamente conotado como sinónimo de praxe, quando na verdade é uma farda estudantil, quase milenar, originada na fundação da Universidade de Coimbra. 

O nosso movimento, além de apelar ao uso do traje, promove também a interação com os seguidores: convidamos os mesmos a enviar fotografias trajados para aparecerem destacados na página de Instagram (instagram.com/capas.negras) para terem a possibilidade de demonstrar o amor que têm pelos seus cursos e academias; também publicamos factos curiosos relativos à tradição do traje; e também elaboramos várias perguntas para nos conhecermos melhor uns aos outros, coisa que de momento se encontram difíceis de realizar em pessoa.

A aderência tem sido bastante positiva, visto que a página foi criada no dia 27 de setembro e já passou a meta dos 1.600 seguidores aquando da redação deste texto. Conta com a participação de estudantes de várias Universidades e Institutos Politécnicos do país que, apesar de serem separados por grandes distâncias, conseguiram, juntos, colocar este movimento em andamento.

Capas Negras destina-se a todos aqueles que estão a começar os seus percursos, todos aqueles que já o começaram, todos aqueles que já estão quase na reta final e todos aqueles que já passaram pelas academias deste país. Sem afiliações praxísticas ou anti-praxísticas, todos juntos somos mais fortes e “Vamos todos pintar Portugal de preto!”.

Um grande obrigado a todos vocês que tornaram isto possível. Um grande obrigado por cada follow, por cada share, por cada foto enviadaobrigado por acreditarem em nós e fazerem parte deste nosso projeto. Contamos convosco!

– M.C., Capas Negras

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