Estudantes adiam decisão sobre praxes para setembro

Noutros anos, o assunto já estaria arrumado por esta altura, mas a pandemia trocou as voltas aos estudantes e, para já, o Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra foi o primeiro a tomar uma decisão oficial: as praxes vão regressar no próximo ano letivo com uso de máscara obrigatório, pelo menos até ao primeiro caso de infeção entre os estudantes. O maior problema, dizem, é não saberem se haverá aulas presenciais para todos.

Só Coimbra já assumiu oficialmente manter a tradicional receção aos caloiros, ainda que com máscara. Restantes comissões aguardam por perceber se vai haver aulas presenciais para todos.

“A intenção é, sem dúvida, conseguir fazer alguma coisa”, assume Margarida Godinho, da comissão de praxe da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. No ano passado, recorda, as atividades foram suspensas: “Não houve festa de final do ano, bênção das fitas, traçar da capa ou rali tascas. Para o próximo ano, queremos arranjar uma solução. O nosso problema tem sido a imprevisibilidade. Basta que digam que as aulas presenciais são só para disciplinas práticas que estraga todo o cenário”. A decisão só deve ser tomada em setembro e “a ideia”, revelou, “é reduzir o tempo de praxe e dividir os caloiros em grupos”.

No Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), em Lisboa, a comissão também aguarda aval da presidente do ISEG para retomar as praxes, avança Pedro Reis. O uso de máscara será obrigatório e “outras atividades vão sofrer adaptações ou não se vão realizar”, admite, referindo que as alterações ainda não foram aprovadas.

RECEÇÃO VIRTUAL

Já Sofia Escária, presidente da Federação Académica de Lisboa (FAL), considera que muito dificilmente haverá praxes com os eventos recreativos interditos. Até a abertura do ano académico na Universidade de Lisboa “está a ser projetada em formato online com atividades e visitas virtuais”, revela.

Na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) ainda não há qualquer decisão. E tal como no Porto, a comissão não deve tomar uma decisão antes do final deste mês. Entretanto, o presidente da Federação Académica do Porto (FAP), Marcos Alves Teixeira, diz “ter razões para acreditar” que a responsabilidade vai continuar a imperar.

Em Aveiro, as atividades praxisticas foram “adiadas indefinidamente”, explica o presidente da associação académica António Alves.

Na Universidade da Beira Interior (UBI), a mesma indecisão e o mesmo prazo. Romeu Conceição, do Forum Veteranum, explica que pretende ainda articular-se com outras comissões. Na Covilhã, sublinha, as praxes duram apenas um mês e não o ano inteiro, “desde o arranque das aulas até à latada”, pelo que a evolução da pandemia e o regime de aulas serão determinantes.

GRUPOS MAIS PEQUENOS

“se as pessoas não estiverem na praxe estão num bar ou esplanada”

O Conselho de Veteranos de Coimbra vai fazer recomendações para que as atividades decorram com grupos mais pequenos de modo a garantir o distanciamento físico. Em declarações à Lusa, o “dux veteranorum”, Matias Correia, defendeu que “se as pessoas não estiverem na praxe estão num bar ou esplanada”, pelo que, “o risco de contágio não será amplificado pelas praxes”.

De qualquer modo, garantiu, em caso de surto entre a comunidade estudantil de Coimbra o conselho “suspende imediatamente” as atividades.

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