Papel da Universidade não é a transmissão da informação, mas ensinar na seleção

Para Isabel Capeloa Gil, Presidente da Universidade Católica, o papel do professor e da universidade não é a transmissão da informação, mas ensinar o aluno a saber selecionar a informação que lhe interessa. A sua opinião, que foi partilhada no palco da Leadership Summit Portugal que aconteceu esta semana, é que os alunos são cidadãos que terão de aprender ao longo da vida e que precisam de saber escolher e retirar a informação necessária de uma imensidade de dados à sua disposição.

A ideia de que no futuro as universidades existirão apenas no espaço da Internet chamado cloud é encarar as instituições de ensino superior como meros espaços de transmissão de informação, o que segundo Isabel Capeloa Gil não corresponde à verdade. Além de ensinar a selecionar, a universidade é um local onde as competências éticas se aprendem, “o que exige presença e proximidade.”

Ora, “a interação no grupo perde-se com o online”, defende a responsável, acrescentando: “Estamos num momento de grande mudança. Para as novas gerações, a tecnologia é um instrumento de transformação, mas não é um fim em si mesmo. A interação presencial é fundamental.”

emblema caloiro

O domínio do homem sobre a informação

O debate sobre as oportunidades e riscos da tecnologia, moderado por Carmo Palma, Managing Director da empresa tecnológica Axians Portugal, trouxe ao de cima a questão de quem manda em quem: a tecnologia manda nos humanos ou é o contrário?

Para o CEO da Impresa, Francisco Pedro Balsemão, o mais importante é não deixar que a tecnologia domine as nossas vidas. “Cada um de nós tem de a responsabilidade de dominar a tecnologia e não deixar que aconteça o contrário.” Na sua opinião, os líderes estão muito expostos a grandes quantidades de informação e por isso têm de a saber gerir de forma eficaz.

Defende maior autorregulação por parte das plataformas da internet, com as redes sociais no topo. “Estas deveriam ter mais cuidado na forma como disponibilizam a informação” – contudo, “há já plataformas que sinalizam os bons e maus conteúdos”, lembrou.

Miguel Santo Amaro, co-fundador da plataforma online de aluguer de quartos Uniplaces, acredita ter criado um negócio “digitalmente nativo”, contudo, “estar 100% remoto é uma novidade no meio em que se move.” A sua principal questão é a de saber como as organizações podem ser remotas e ao mesmo tempo criativas e eficazes. Como é que vamos encarar a empatia, pergunta.

VINHO CALOIRO

Da sua perspetiva, a maior mudança vista na atualidade é esta: enquanto a palavra dita é o meio usado na interação humana, que é fundamentalmente oral, na internet o meio mais usado é a escrita.

Dominic Miles, co-fundador da consulta Searching For Leadership, tem podido constatar no seu trabalho que o que estamos a viver é mais uma experiência humana do que tecnológica, com uma carga psicológica e emocional pesada sobre as pessoas.

Carlos Costa Pina, COO do Executive Committee da Galp, trouxe à conversa a questão da confiança ao dizer: “Um líder que não é confiável é um líder que não terá seguidores.” Acredita que o trabalho no futuro vai mudar, especialmente os modelos de gestão do tempo e do espaço. “O teletrabalho vai passar a ser usado com maior frequência, mas há tarefas que não podem ser feitas à distância.”

Na Galp, o modelo seguido atualmente, e que “tem dado bons resultados”, é ter mais de 90% dos colaboradores em teletrabalho e cerca e 10% no escritório – esta proporção inverte-se de quinze em quinze dias.

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