Ser caloiro em tempo de pandemia

Se em setembro me tivessem dito que iria acabar o 1º ano de licenciatura online e em casa e ficar a meio do meu ano de caloira, nunca iria acreditar.

No entanto aconteceu. Em março já andávamos todos entusiasmados em comprar o traje e ansiosos que chegasse a queima, que os nossos doutores falavam com tanto entusiamo e iriamos passar a tribuna. Mas o Covid-19 apareceu e mudou nos completamente os planos. E aí começou o nosso percurso com as aulas online, exames online, o isolamento e voltar a morar com os pais. 

“Mas o Covid-19 apareceu e mudou nos completamente os planos.”

Nas primeiras semanas até que correram bem, muitos de nós tiveram aquele boom de produtividade, entre começar a praticar desporto, começar a cozinhar, desenhar, a cortar o cabelo em casa, etc. Mas depois veio a fase de desânimo, da incerteza de quando tudo isto ia acabar e podíamos regressar à normalidade e às noites com os amigos e para completar este desmoronamento motivacional, os professores começam com os mil e um trabalhos para fazer e com os testes online, que tanto nos prejudicam embora eles aleguem o contrário. 

Em maio, começamos a ter sinais de esperança, com o levantamento de algumas restrições, mas também foi o mês da queima das fitas, por que nós tanto esperávamos. Era a altura em que concluíamos o nosso ano de caloiros, que os doutores tanto falam como o melhor ano, e era também quando terminávamos a etapa de usar a sweat de caloiro e usávamos o traje , era a serenata em que nos iriam traçar a capa pela primeira vez, era o momento por que ansiávamos desde que ganhamos orgulho de gritar pela nossa “casa” e mostrar às outras que nós éramos os melhores, era ter orgulho de usar a sweat da nossa faculdade, mesmo que estivessem 30ºC. E nesse momento foi uma grande desilusão, pois era suposto ser o melhor ano, o ano em que éramos protagonistas e onde tínhamos sempre alguém superior hierarquicamente para nos proteger sempre que algo corresse mal.

“(…)mas a nossa única esperança é poder voltar à faculdade em outubro e vingar todos estes meses em que parece que a nossa vida esteve em stand-by(…)

Agora em época de férias não estamos melhor, mas a nossa única esperança é poder voltar à faculdade em outubro e vingar todos estes meses em que parece que a nossa vida esteve em stand-by e aproveitar a vida académica que merecemos e não esta em que estivemos isolados e onde só queríamos uma noite com os amigos que começava muitas vezes com a desculpa de ir tomar apenas um cafezinho e só acabava no dia seguinte.

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